sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Cidadera lança plataforma para prefeituras municipais

Cidadera Prefeituras Municipais

Motivado pelo crescente interesse das prefeituras em atender as demandas de cidadãos expostas na internet, Cidadera cria canal de comunicação gratuito para que as gestões municipais respondam mais de oitenta tipos de reclamações da população.

"Inicialmente criamos um serviço na internet para cidadãos exporem suas reclamações publicamente, principalmente aquelas que não foram atendidas pelos canais oficiais", explica Victor Morandini Stabile, idealizador do Cidadera e diretor de tecnologia. "À medida que os meses passaram e o número de reclamações publicadas aumentou, prefeituras começaram a entrar em contato. Percebemos que muitas delas gostariam de atender melhor seus cidadãos na internet, mas não sabem como", conclui.

O interesse motivou a equipe a construir uma ferramenta voltada especificamente para órgãos municipais. "Na ponta do cidadão ouvimos as reclamações e na outra ponta, do gestor municipal, centralizamos e organizamos estas demandas", comenta José Victor Bueno, engenheiro de software responsável pela implementação da ferramenta. "O gestor tem acesso aos detalhes da demanda incluindo relatos, fotos e a localização no mapa da cidade, adquirida pelo GPS do celular do reclamante. O que buscamos com isso é facilitar o trabalho das prefeituras e entregar aos gestores uma visão estratégica para a tomada de decisões".

Para utilizar o canal e responder os cidadãos, as prefeituras devem acessar o site do serviço e fazer o cadastro, que é gratuito.

Release completo para imprensa: cidadera@cidadera.com

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O presente de Natal do portal Mobilize é pura cidadania

O Natal do portal Mobilize foi uma boa surpresa para os cidadãos e também para nós: o novo mapa colaborativo da mobilidade no Brasil, construído em parceria com o Cidadera, é o presente de fim de ano que o portal deu para os cidadãos de todo o país.

Obrigado Mobilize, também desejamos a vocês e a todos os cidadãos muitas Felizes Cidades em 2015!

Cartão de Natal - Crédito: Mobilize
Cartão de Boas Festas enviado pelo Mobilize
Crédito: Newsletter Mobilize Brasil

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Silvia Stuchi Cruz, Corridaamiga

Silvia Stuchi Cruz - Foto: Paulo Pampolin
Foto: Paulo Pampolin

Pesquisadora, gestora ambiental pela EACH/USP, realizou estágio de doutorado na França e Finlândia, abordando temas voltados ao meio ambiente e sustentabilidade. Corredora amadora desde 2010, há 3 anos começou a usar a corrida como meio de transporte, para o trabalho e para outros compromissos. Foi a forma que ela encontrou para continuar treinando e não perder um precioso tempo sofrendo parada no trânsito. Escuta com muita frequência das pessoas: VOCÊ É LOUCA! E confessa que não se sente mal ouvindo isso, se considera uma “louca: louca consciente”. E sua principal motivação para fazer funcionar a Corridaamiga é justamente mostrar que existem alternativas a este cenário. Basta estar aberto e disposto a encarar esta mudança de paradigma. 

Como nasceu a iniciativa Corridaamiga?

Silvia: Em 2013 realizei estágio de doutorado na França. Na Europa de um modo geral (e nos Estados Unidos também), a prática da corrida como meio de transporte já está difundida, denominada de run commuting. Embora exista uma clara difusão da corrida no Brasil, correr como meio de transporte não é ainda prática comum por aqui.

Assim, surge no início de 2014 a Corridaamiga, fruto da iniciativa de corredores de rua já acostumados a se deslocar pela cidade utilizando seus pés que gostariam de auxiliar e inspirar a prática da corrida como forma de mobilidade urbana.  Há duas formas principais de participação: pedindo uma Corridaamiga ou sendo um corredor amigo. O cadastro deve ser realizado na plataforma online da Corridaamiga. Os atendimentos são realizados da seguinte maneira: após o preenchimento dos pedidos no site, cruzamos os dados com o corredor voluntário mais próximo da região solicitada, que realizam o trajeto em conjunto e/ou fornecem, voluntariamente, instruções e informações aos iniciantes no uso da corrida como meio de transporte sobre as melhores rotas, como correr na rua, o uso das calçadas, o respeito ao pedestre, a logística de roupas, equipamentos e itens indispensáveis para o uso da corrida como meio de deslocamento. 

Até dezembro de 2014, o grupo atendeu 64 pedidos de Corridaamiga, em sua maioria nos grandes focos de trânsito da cidade de São Paulo. Atualmente, a rede conta com quase 60 corredores voluntários de São Paulo-SP e outras cidades, como Campinas, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Santo André, além de estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará. 

É muito gratificante para nós atingir tantos Estados e cidades brasileiras em tão pouco tempo. É realmente inacreditável o que a internet, como um instrumento de formação de Rede, é capaz de proporcionar, unindo tanta gente boa e que buscam mudanças positivas para suas vidas e para a sociedade de um modo geral.

Quais são os obstáculos mais comuns encontrados por quem faz seus trajetos correndo?

Silvia: O estado de nossas calçadas é um dos principais motivos que barram o deslocamento dos pedestres, sendo também um entrave para a prática de corrida de rua. Segundo dados do IBGE (2010), um terço das viagens urbanas diárias são feitas a pé, em geral pequenos trajetos até a escola, creche, mercado, mas também viagens longas, de vários quilômetros até o local de trabalho. Porém, nos últimos anos, calçadas foram reduzidas ou, em alguns casos, eliminadas para dar espaços a mais vias na tentativa de melhorar o tráfego de veículos. As condições inadequadas das nossas calçadas dificultam o uso da corrida como meio de transporte, assim como a mobilidade de idosos, crianças e deficientes. Nesse sentido, salientando a preocupação com as calçadas que encontramos diariamente nas cidades brasileiras, em parceria com o Cidadera, convidamos os cidadãos a realizarem sua reclamação no mapa #calçadacilada com alguma inadequação encontrada na calçada.


Corridaamiga utiliza a plataforma Cidadera para mapear colaborativamente a situação das calçadas de todo o país através da campanha #CalçadaCilada.

Acesse a #CalçadaCilada

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Gabi Callejas, Cidade Ativa


Gabriela Callejas é arquiteta urbanista brasileira formada pela FAUUSP (2009), com mestrado em desenho urbano pela Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP), Columbia University. Teve experiência no escritório de Desenho Urbano do Departamento de Planejamento de Nova Iorque em 2011 e 2012 e participou da elaboração do estudo Active Design: Shaping the Sidewalk Experience.

O que é Active Design?

Gabi: O Active Design é um movimento que começou nos Estados Unidos e que promove hábitos saudáveis e estilo de vida ativo a partir do desenho de nossos edifícios, de nossas cidades, e de políticas públicas nas áreas de planejamento, construção e saúde. As diretrizes defendidas pelo Active Design foram consagradas através da publicação do Active Design Guidelines - desenvolvido pelos Departamentos e Planejamento, de Construção, de Transporte e de Saúde da Cidade de Nova Iorque-, e de outros estudos que o procederam. Em conjunto com o AIA - American Institute of Architects - e com governos locais de diversas cidades dos Estados Unidos, o movimento vem ganhando força nos últimos anos através de eventos anuais realizados sobre o tema – os Fit City. Desde 2011, o Active Design ganhou relevância mundial através dos encontros Fit World e passou a reunir profissionais de todo o mundo em iniciativas que propõem uma nova maneira de pensar cidades e a saúde de seus cidadãos.
Aqui no Brasil, o primeiro encontro sobre o tema aconteceu em abril deste ano. O primeiro Fit Cities São Paulo foi organizado pelo Cidade Ativa em conjunto com o USP Cidades e atraiu mais de 200 pessoas dos mais diferentes perfis, incluindo estudantes e profissionais das áreas da arquitetura, urbanismo, saúde, engenharia...

Como nasceu o Cidade Ativa e como a iniciativa está promovendo o active design no Brasil?

Gabi: Tudo começou quando eu ainda morava nos Estados Unidos, em 2012. Fui chamada para trabalhar no departamento de planejamento da cidade de Nova Iorque e acabei me envolvendo com o projeto Active Design através de uma pesquisa sobre calçadas.
Naquele ano aconteceu o primeiro Fit World em Nova Iorque e foi aí que o Bittar e eu nos conhecemos. Na verdade foi tudo uma grande coincidência: eu sou arquiteta urbanista, mas meus pais são médicos. Durante muito tempo meu pai ainda acreditava que eu seria médica um dia. O fato de eu estar em um projeto que relacionava urbanismo, arquitetura e saúde deu um “click” no meu pai – acho que aí ele entendeu um pouquinho melhor o que eu fazia como urbanista. E ele começou a contar a minha história para todos os pacientes dele - inclusive para aquele que seria o pai do Bittar. Trocamos e-mails, eu lá e ele aqui no Brasil, e chamei ele para participar do Fit World. O Bittar já vinha fazendo um trabalho bem legal na área de planejamento urbano, principalmente como vereador de Botucatu e coautor do Plano Diretor de lá.
A partir daí estivemos trabalhando para formar um grupo que divulgasse a iniciativa aqui no Brasil. Tivemos um apoio enorme da Dra Karen Lee e da Skye Duncan, que são também idealizadoras do grupo, e conseguimos nos institucionalizar este ano como uma Organização Social com ajuda de outras pessoas, que abraçaram a causa, como o Ramiro e a Rafaella. No início, a nossa principal meta era organizar um evento aqui no Brasil que trouxesse o tema do Active Design. Consideramos que o Fit Cities São Paulo foi um grande sucesso e queremos continuar organizando os futuros encontros com nossos parceiros. Além dos eventos, fazemos workshops que exploram as diretrizes do Active Design em atividades práticas, fizemos um Safári Urbano, atividade que explorou as calçadas da região da Berrini, e já temos programadas outras medições de calçadas em outras cidades. Organizamos e participamos de campanhas, coordenamos um grupo de trabalho que nasceu do Fit Cities e que reúne pessoas de outras ONGs, empresas, instituições de ensino, e divulgamos ações, projetos e pesquisas através do nosso site e página do facebook. Recentemente começamos também a participar de projetos e pesquisas e queremos ajudar outras organizações a incorporar as diretrizes Active Design em projetos e processos internos.
Um projeto muito interessante que estamos desenvolvendo agora é o  "Olhe o Degrau", que inclusive recebeu um prêmio em um concurso internacional, o Urban Urge Awards.

Conte-nos a respeito do "Olhe o Degrau", o que é e quais são as expectativas?

Gabi: "Olhe o Degrau" é um projeto que procura aumentar o reconhecimento sobre as escadarias como oportunidades de espaços públicos e como importantes conexões na rede de pedestres da cidade de São Paulo. A ideia é transformar escadarias através de iniciativas que engajem a comunidade local por meio de intervenções urbanas.  Esse projeto surgiu a partir de uma leitura nossa sobre a estrutura urbana de São Paulo: a maioria das avenidas estão ao longo de rios e córregos e nos topos de morros. Este modelo de desenvolvimento trouxe a necessidade de conectar diferentes níveis da cidade, o que é feito por escadas nos locais mais íngremes. Essas escadarias funcionam como “atalhos” na rede de mobilidade para pedestres e o reconhecimento destas conexões pode ajudar a aumentar o uso do transporte ativo e reduzir o uso de veículos particulares na cidade, amenizando as crises de mobilidade que São Paulo está enfrentando atualmente. Sem falar que subir escadas é uma ótima maneira de fazer exercício!

Apesar das escadarias estarem espalhadas em toda a cidade, não existe um trabalho significativo disponível sobre este tema, nem mesmo um banco de dados confiável com localização das escadaria e suas características. Além disso, uma vez que hoje as escadas representam no imaginário das pessoas perigo, lugares sujos e descuidados, não existe um mapeamento mental desta rede - há uma enorme incerteza sobre a existência das escadarias e o potencial que elas escondem.

Então, o primeiro desafio do projeto é aumentar o reconhecimento sobre as escadas. Nossa estratégia consiste em criar dispositivos físicos e virtuais que permitam que as pessoas perceberem a existência das escadarias. Queremos fazer placas de sinalização que indiquem onde elas estão e elaboramos, em conjunto com o Cidadera, uma plataforma de mapeamento colaborativo que será usada para localizar as escadarias da cidade. Este dispositivo pode ser usado para coletar informações sobre esses lugares e criar um catálogo on-line de tipologias de escadarias, que pode ser usado quase como um guia turístico das escadarias.

A outra estratégia do projeto é realmente requalificar estes espaços através de iniciativas com a comunidade. O projeto piloto para a escadaria da Rua Alves Guimarães explora essa metodologia e utiliza o Prêmio Urban Urge para iniciar essa mudança de paradigma: ele inicia uma transformação de longo prazo através uma intervenção muito simples que envolve apenas  lâmpadas, tinta, mobiliário urbano e a organização de eventos para chamar a atenção das pessoas e então proporcionar o reconhecimento sobre os potenciais das escadarias.


O Cidade Ativa utiliza a plataforma Cidadera para mapear colaborativamente as escadarias de São Paulo através da iniciativa "Olhe o Degrau".

Acesse o Olhe o Degrau
https://olheodegrau.cidadera.com

Renata Rabello, Desenhe sua Faixa

Renata Rabello

Renata Cruz Rabello é formada em arquitetura, com dupla formação em engenharia civil pela POLI. Atua como calculista e projetista de estruturas e participa de grupos de estudo na organização Ciclocidade, que discute atualmente a melhoria do acesso de pedestres e ciclistas nas travessias das pontes de São Paulo.

Como nasceu o Desenhe sua faixa?

Renata: O Trabalho Final de Graduação na FAUUSP, com título "Desenho urbano de passarelas: o percurso do pedestre nas travessias do rio Pinheiros", permitiu contato aproximado à situação do pedestre na cidade de São Paulo. O foco da pesquisa teve como objetivo viabilizar a transposição do rio de maneira segura e humana. A conclusão da análise pontuou característica comum entre as travessias: a prioridade do automóvel em detrimento das pessoas. Assim nasceu o Desenhe sua faixa, ferramenta na qual a experiência de cada um pode melhorar a cidade, sinalizando pontos onde a faixa de pedestres seja imprescindível.

Quando o assunto é faixa de pedestres, há muito o que se melhorar em São Paulo?

Renata: Com certeza há muito o que melhorar, principalmente quanto ao respeito dos motoristas às faixas de pedestres, fundamental para garantir a travessia segura. A partir do aprimoramento das sinalizações demonstra-se que a cidade é feita para as pessoas, valorizando parte integrante do trânsito da cidade muitas vezes ignorado: o pedestre.


Desenhe sua faixa utiliza a plataforma Cidadera para reunir demandas de faixas de pedestres na cidade de São Paulo.

Acesse o Desenhe sua faixa
https://desenhesuafaixa.cidadera.com

Ricky Ribeiro, Mobilize Brasil

Ricky Ribeiro - Foto: Rogério Alonso
Foto: Rogério Alonso

Administrador público formado na FGV-EAESP, com Mestrado em Sustentabilidade pela Universidade Politécnica da Catalunha (UPC, Espanha) e MBA Executivo pela Universidade de Barcelona (UB, Espanha). Possui experiência em consultorias multinacionais (Ernst & Young e ICTS Global) – trabalhando com sustentabilidade, prevenção de perdas e gestão estratégica – e com o Terceiro Setor. Sócio-Fundador da Associação Abaporu e idealizador do portal Mobilize Brasil.

Em 2008, aos 28 anos de idade, foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurológica degenerativa que causa atrofia muscular global enquanto a mente permanece intacta. Atualmente encontra-se acamado, com comprometimento da movimentação e da fala, mas segue trabalhando ativamente com auxílio da tecnologia e das pessoas que o cercam.

O Mobilize Brasil é referência sobre mobilidade urbana. Como e quando nasceu a iniciativa?

Ricky: Ao ser diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) no final de 2008, tive que deixar meu trabalho como Consultor e adaptar-me a uma nova realidade. Em janeiro de 2011, cansado de me dedicar quase que exclusivamente durante dois anos a diferentes tratamentos, comecei a pesquisar e ler muito sobre mobilidade urbana sustentável, tema que comecei a me interessar muito desde 2004 quando morei em Barcelona. Com a dificuldade motora nas mãos fazia um esforço enorme para buscar conteúdo espalhado pela internet. Diante desta lacuna, vislumbrei a oportunidade de criar um portal para agregar, produzir e disseminar conteúdo de qualidade e relevância relacionados à temática. Idealizei o Mobilize e contei com a ajuda de amigos e familiares para viabilizá-lo. Do dia que tive a ideia até o lançamento,  passaram-se exatos 8 meses: o portal foi ao ar dia 15 de setembro de 2011.

Quando o assunto é mobilidade urbana, há muito o que se melhorar no Brasil?

Ricky: O Brasil está acordando para o tema da mobilidade urbana agora, devido ao caos que se encontram as cidades brasileiras e pela repercussão dos mega eventos realizados no país. Foram décadas de descaso com o transporte coletivo e o não motorizado, quando praticamente apenas ações voltadas para o carro foram priorizadas. Nos últimos anos começaram a surgir algumas iniciativas visando melhorar a mobilidade urbana, mas para que nossas cidades se tornem mais humanas, democráticas e acessíveis, ainda há muito o que fazer, a começar pela melhoria e padronização das calçadas.


O portal Mobilize utiliza a plataforma Cidadera em seu canal Mobilize-se, canal para cidadãos reclamarem problemas de mobilidade nas cidades brasileiras.

Acesse o Mobilize-se
http://www.mobilize.org.br/mobilize-se/